Mulheres que fizeram (e fazem) a história do Rio Grande do Sul
Da tradição ao protagonismo, mulheres marcam profundamente a cultura do RS
Publicação:
“Em certos dias em que o minuano soprava, enrolada num xale e pedalando na roca, Bibiana pensava na avó, que costumava dizer-lhe que o destino das mulheres da família era fiar, chorar e esperar” (Erico Verissimo)
Na história do Rio Grande do Sul, incontáveis mulheres se destacaram por sua força e coragem. Durante a Revolução Farroupilha, Anita Garibaldi lutou ao lado do marido, o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi e se tornou um símbolo de luta e liberdade, a “heróina de dois mundos”, venerada no Brasil e na Itália. Muitas outras mulheres desempenharam papéis fundamentais na formação do estado, como “parteiras”, “benzedeiras, cuidando tanto dos afazeres domésticos quanto do trabalho no campo. Apegadas aos valores, defensoras da família, detentoras e transmissoras de tradições e saberes, as mulheres gaúchas sempre demonstraram coragem e capacidade de resiliência para suportar tempos difíceis.
Talvez a representação máxima da força da mulher gaúcha esteja na personagem Ana Terra, da obra “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, que se tornou uma das mais importantes da literatura brasileira. Mesclando sensibilidade e tenacidade, as personagens femininas de Erico Verissimo tornaram-se exemplos da força da mulher que se tornaram protagonistas de suas histórias, em períodos de dominação masculina.
Com o surgimento do Movimento Tradicionalista Gaúcho, as características da mulher gaúcha foram sintetizadas na figura da “prenda”, palavra que no Rio Grande do Sul é sinônimo de mulher. O vestido de prenda, de feição simples, foi criado por Paixão Côrtes, durante os primeiros dias do movimento e é utilizado até hoje por meninas que são apresentadas à cultura gaúcha nos primeiros anos de vida.
A figura da prenda se popularizou e se tornou objeto de culto em livros, filmes e músicas. Talvez a mais famosa delas seja a composição “Prenda minha”, originária do folclore gaúcho, interpretada por inúmeros artistas e que recebeu uma versão da lenda do jazz, Miles Davis.
A predominante influência dos imigrantes europeus na porção mais ao sul do Brasil muitas vezes leva a uma impressão de que a mulher gaúcha possui uma aparência única, mas no Rio Grande do Sul é possível encontrar mulheres com traços diversos, de influência branca, negra e indígena.
Mais recentemente, mulheres têm ocupado espaços de destaque em política, cultura e educação, reforçando a força e a importância do protagonismo feminino. Nos festivais nativistas, na música, na poesia ou na escrita, elas reinvindicam seu espaço e conquistam as principais posições de destaque na cultura gaúcha.
Hoje a força da mulher gaúcha também está presente no turismo. Muitos empreendimentos, como pousadas, vinícolas, agências de viagem, têm mulheres em posição de liderança. As conquistas também tem permitido que as mulheres se organizem em grupos de viagens e explorem as riquezas e a história do território gaúcho. O Rio Grande do Sul é um dos destinos turísticos mais seguros do Brasil, o que encoraja mais mulheres a se aventurarem no setor. Hoje elas estão presentes não apenas como trabalhadoras ou empreendedoras do turismo, mas também representam a maioria dos turistas que visitam o Rio Grande do Sul.